28.2.09

corpo, distorções & cia










Rodrigo Andreolli. Ió, sátiro!

24.2.09

tratado elétrico e termodinâmico das paixões



#1 - todas as paixões nascem no estômago

# 2 (por Céu d'Ellia):

Escorrem pelas coxas até eletrizar os pés. Simultaneamente dinamizam o peito e explodem o coração pela boca, em palavras, mãos em gestos, dedos ávidos por conectar a outra pele. Nos casos em que o conversor hermético (dito engenharia 3:6/7), está suficientemente carregado de energia fotônica e amritza purificada, a paixão transborda pelos olhos, incandescente, fulminando códigos e regras de conduta. Raramente, ilumina o engenho, mas é possível, desde que haja Amor.


#3
As paixões produzem intensas agitações de elétrons com elevada carga energética nuclear nos espaços entre os órgãos internos. A reação termoquimica dos elétrons na corrente sanguinea causa severa coompressão nas entranhas.

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estômago

essa semana eu só girei em volta do estômago, que é onde nasce tudo. e além do que, o estômago é o meio caminho entre o coração e o útero, isso há de ser importante.


sinceramente, eu não queria ser tão sensível aos meus órgãos. eu queria que eles parassem de falar, de ter essa autonomia toda, de conseguir me desconcentrar tanto. os meus assuntos escorrem da cabeça e se instalam em algum outro lugar onde não deveriam e eu passo a sentir essas novas habitações a me apertar.

são 5h16 e eu sinto tanto sono e tanto calor.

17.2.09

as bacantes #1

#1

as bacantes fazem florescer em mim um cheiro novo, uma brisa que ainda não existia, uma umidez de pés-na-terra que refresca o corpo todo, criam uma fecundidade que poderia gestar uma plantação latifundiária de amor.

10.2.09

banquete

vou bater minha garganta e coração no liquidificador e servi-los com dry martini, enquanto Ella Fizgerald canta Cole Porter na vitrola.

14.1.09

12.1.09

o avesso

Na madrugada de 10 de janeiro sonhei com um bicho que não existe e que se disfarçava de gato. Mas o jeito que o bichano andava estranhava nos olhos: desfilava-se com as partes internas visíveis, os ossos cartilagens vísceras músculos nervos se mantinham coesos em forma de corpo felino sem pele. Todas as intimidades vermelhas expostas sem constrangimento: primeiro porque os gatos não se constrangem, segundo porque entranhas temos todos nós.

Era bonito vê-lo ao contrário. A mim também interessa me desvestir dessa pele e estar do avesso em molde humano. Acho que a conversa entre a carne e o ar é de natureza semi-incendiária, é provável que arda um tanto, porque a gente nesse uniforme de epiderme se distancia um pouco do voo livre e se mantem sempre em temperatura segura.

No dia seguinte li um capítulo d'um livro moçambicano em que um velho de desossava para descansar; pendurava o esqueleto em uma árvore e quedava invertebrado feito molusco a sentir as carnes flácidas.

Talvez seja mesmo importante que cada criatura desmostrasse alguma coisa de quando em quando - revelando a si , em uma primeira espiada, de jeito grotesco; mas, diante de um olhar sensível, de jeito sincero. Eu sem casca pronunciaria esse rubro intimo igual o pseudo gato que me visitou o sono, que alguns até veem mas não são muitos. A pele faz o filtro do rosa, do marrom, do amarelo, mas é muito mais livre se revelar vermelho.